O que devo fazer se o meu cão ou gato comer canábis?
Infelizmente, a intoxicação por canábis em cães e gatos é relativamente comum, uma vez que os animais de estimação têm frequentemente acesso à droga, seja porque o proprietário a utiliza para fins terapêuticos, como é o caso de alguns doentes oncológicos, ou, o mais frequente, devido à sua utilização ilegal.
Intoxicação por canábis em cães e gatos
Facto é que o porte de canábis nas residências não é incomum, sendo a droga ilegal mais consumida no mundo.
O animal pode ter acesso de diversas formas, a mais comum é que ingira o chamado “charro”, que o seu dono consome a fumar, ou a “erva” com que o vai preparar.
Por vezes tem acesso a uma pedra de haxixe negligenciada ou o cão pode comer ou mordiscar a planta de canábis que cultiva em casa.
Mesmo, embora menos frequentes, cupcakes preparados com canábis.
O maior problema de tudo isto é que o proprietário, constrangido com a sua prática ilegal, não costuma ser honesto com o médico veterinário.
E, embora vão à clínica preocupados, é comum descreverem os sintomas e o estado do animal sem referirem o que o está a provocar.
Isto só irá complicar o prognóstico, pois a omissão de dados faz com que o veterinário perca tempo valioso a fazer exames e a atrasar o tão necessário tratamento.
É importante ter em conta que o veterinário está ali para ajudar o animal e não para julgar o dono. A sinceridade é importante para que a ação seja rápida e eficaz.
O que devo fazer se o meu cão ou gato comer canábis?
A primeira coisa que deves fazer, como já referimos, é levar o animal imediatamente ao veterinário.
Ao chegar à clínica e examinar o animal, as primeiras dúvidas serão o que comeu ou poderá ter comido, quando e em que quantidade.
Não para julgar os hábitos de vida e de consumo do seu dono, mas porque é muito importante na hora de avaliar como agir e se ainda vamos a tempo de eliminar a canábis do sistema digestivo do cão ou do gato.
Se perdermos tempo e o deixarmos digerir, as consequências serão muito piores.
Consequências do envenenamento por canábis em cães e gatos
Em relação à Canábis (também conhecida como Maria, Marijuana, erva daninha, haxixe ou charro), todas as suas partes (folhas, caules e botões florais) são tóxicas porque contêm tetrahidrocanabinol (THC) e compostos relacionados.
As concentrações de THC variam consoante a variedade da planta, as partes, o processamento, o sexo (as flores femininas têm concentrações mais elevadas) e as condições de cultivo.
Qual é a dose letal de canábis em cães e gatos?
De acordo com o Manual Veterinário Merck, a dose letal de THC para cães e gatos é >3 g/kg. do peso corporal.
É um facto MUITO importante a ter em conta, pois um cachorro, um cão de raça pequena ou um gato podem morrer com uma quantidade ínfima.
Isto relacionado com a dose letal, pois os sintomas e efeitos do envenenamento podem aparecer em doses muito mais baixas.
A melhor forma de evitar que a vida do teu animal esteja em risco é ir imediatamente ao veterinário e ser totalmente honesto sobre o que comeu, quando e em que quantidades.
Sintomas de intoxicação por canábis em cães e gatos
Os animais de estimação, principalmente os cães, apresentam dificuldade em coordenar os movimentos (Ataxia), pupilas dilatadas, aspeto deprimido, aumento ou diminuição da frequência cardíaca (taquicardia ou bradicardia), salivação, hiperexcitabilidade, tremores e hipotermia.
A morte por consumo de canábis ocorre quando os centros reguladores vitais do SNC estão gravemente deprimidos.
Tratamento para intoxicação por canábis em animais de estimação
O ideal, se a ação for tomada a tempo, seria provocar o vómito do animal, o que é bastante difícil de conseguir, uma vez que o efeito dos eméticos (medicamentos que provocam o vómito) é muito limitado pelo efeito antiemético do medicamento.
O tratamento de eleição seria o uso de Carvão Ativado. É um pó administrado por via oral que é utilizado no tratamento de diversas intoxicações, pois é absorvente e sequestra uma grande quantidade de substâncias químicas, incluindo as tóxicas, ficando retidas e, por isso, anulando a sua ação.
Seguido de tratamento para esvaziamento intestinal completo, eliminando assim o carvão ativado com o tóxico retido o mais rapidamente possível.
Em animais gravemente afetados, pode ser necessário o uso de estimulantes (cardíacos e respiratórios) juntamente com terapêutica de suporte.
Na melhor das hipóteses, a recuperação seria lenta.
Por isso, e como sempre, o mais importante é, para não entrar na prevenção óbvia, ir imediatamente à clínica e ser totalmente honesto.