Os gatos são seres complexos. Têm os seus hábitos, as suas manias e, sem dúvida, um carácter forte e decidido.
Com eles, nunca se pode generalizar. É preciso ter sempre em conta os seus gostos e particularidades. A alguns encanta-lhes a comida seca e nem querem provar a húmida; outros não querem saber de ração. Uns preferem as de aves e outros só comem se for peixe e, por vezes, há dias em que comem uma coisa e noutros preferem outra.
Mas não há nada mais desesperante do que um animal de estimação que não quer comer. Não só pelas evidentes consequências da desnutrição, mas também porque começamos a pensar se estará doente ou se terá algum tipo de patologia.
E sim, porque muitíssimas doenças, para não dizer quase todas, vêm acompanhadas de falta de apetite e até de rejeição total da comida, o que pode ser o primeiro indício de que algo não está bem.
Por isso, perante um animal sem apetite, a primeira coisa que devemos fazer é consultar o veterinário para nos assegurarmos de que está tudo em ordem.
Estratégias para estimular o apetite em gatos
Se for esse o caso, ou se isto for realmente o habitual no gato — que é muito esquisito e rejeita tudo por norma, ou tem preferências complexas — podemos experimentar estas ideias:
Comida húmida e seca: experimentar até encontrar a favorita
A comida húmida costuma ser um sucesso. Tanto em cães como em gatos. O seu cheiro, textura e sabor costumam ser-lhes muito mais apelativos, como é lógico, do que a comida seca, e normalmente não torcem o nariz. Dentro desta categoria, como animais seletivos que são, cada um tem as suas preferências: é uma questão de ir experimentando até encontrar a que lhes agrada. Alguns preferem patês e outros a consistência suculenta com pedaços, como acontece com os Foodie, com ingredientes marinhos ao natural como cavala, lombo de atum ou pescada.
A comida seca (ração). Parece estranho, mas sim: há alguns que preferem a comida seca à húmida. Por isso, é importante experimentar antes de descartar e testar dietas de sabores diferentes, pois, como é evidente, aves não sabem ao mesmo que peixe. Para isso, são ideais as amostras gratuitas da Lenda, que permitem experimentar diferentes sabores num só pedido.
Realçar o sabor e a textura do alimento
Óleos de peixe. Para dar sabor a qualquer dieta: salmão, sardinha ou atum. São o tempero perfeito para, por exemplo, uma ração que custa a comer, ou qualquer outro tipo de dieta: não só lhes dão um toque de sabor, como também fornecem ácidos gordos com enormes benefícios; ajudam a reforçar a barreira cutânea, deixando pele e pelo incríveis, têm ação anti-inflamatória e até cuidam das articulações. Atenção: não substitui qualquer tratamento nem alimento e deve ser administrado na quantidade indicada.
Truques práticos para que comam o que devem
Mas, para lá de sugestões dietéticas, por vezes precisamos que comam um alimento específico. Muitas vezes têm um problema médico — urinário, renal, digestivo, alergias… — e precisam de uma ração da linha veterinária específica para essa patologia e não podemos sair daí. Por isso, deixamos-vos alguns truques muito simples para tentar que comam aquilo de que precisam:
Aquecer o alimento. Como dissemos, a ração seca muitas vezes não é atrativa porque cheira e sabe pouco. Por vezes, algo tão simples como aquecê-la um pouco faz com que liberte aroma e também sabor, tornando-a muito mais interessante para eles e ajudando a que comecem a comer. Atenção: trata-se de um ligeiro golpe de calor; caso contrário, poderíamos queimar o animal ou, se aquecermos demasiado, perder propriedades.
Humedecer o alimento: pelo mesmo motivo do caso anterior. Molhar o alimento com água morna (não quente) faz com que liberte aroma e, além disso, ficará mais macio — uma consistência que muitas vezes lhes agrada mais. Isto também facilita a mastigação em caso de problemas dentários. Porque, tal como antes, se precisam de uma dieta seca específica, não a podemos trocar por estufados (comerciais ou caseiros): tem de ser essa. Adicionar água manterá as suas propriedades, sem acrescentar mais nada, mas dando uma consistência mais caldosa e apelativa. Algo especialmente útil em gatos, que bebem muito pouco, pelo que qualquer fonte de hidratação será um plus para o cuidado do trato urinário e para a saúde geral.
Dar pequenas porções. Pode parecer pouco importante, mas se enchermos muito a tigela, sobretudo se for comida seca, e não a comerem de uma vez, essa comida resseca e perde características organoléticas. Sabe muito pior e interessa-lhes ainda menos. Quantas vezes acontece ficar lá ração parada e, ao acrescentarmos um pouco mais fresca, recém-saída do saco, começam logo a comer? Porque a recém-colocada é mais apetecível. É como quando nós comemos uma bolacha ressequida e/ou mole que ficou fora do pacote ou da caixa. Além disso, se o alimento for húmido, há maior risco de contaminação microbiológica. Por isso, dar sempre pouco. Se comerem tudo, ainda vamos a tempo de pôr mais.
Um motivo pelo qual os gatos podem comer pouco é porque não “gastam” energia: são muito sedentários e fazem pouca atividade física. Tentar aumentar o exercício com brincadeiras e brinquedos também ajuda a abrir o apetite. Pode ser interessante usar jogos e acessórios em que a comida fica escondida.
Terem de procurar e esforçar-se para a tirar estimula-os e, muitas vezes, desperta-lhes o interesse pelo alimento. Sem esquecer que, se deixar completamente de comer ou comer muito pouco, a consulta ao veterinário é imprescindível, por um lado para excluir patologias que o estejam a provocar. E, por outro, pode ser necessário estimular o apetite com fármacos ou até recorrer à alimentação forçada ou parenteral (através de uma via), pois se a falta de apetite se mantiver, a sua saúde fica em risco.