É legal um cão viver permanentemente acorrentado?

Cães presos

Os cães devem poder mover-se livremente e, sem dúvida, estar protegidos das condições climáticas.

No domingo, enquanto passeava pelos arredores da aldeia, vi um cão grande, rafeiro, preso a uma casota. Deitado, olhava para a estrada com a atitude tensa de quem sabe que, por muito que queira, a sua vida está limitada a um ponto fixo. Com o olhar resignado e a ausência de latidos e puxões de quem já percebeu que nada vai mudar.

Não chega. A vida está totalmente fora do seu alcance.

Tudo o que não cabe nesses dois escassos metros quadrados de corrente — uma casota feita de restos, uma tigela para a água e esses poucos metros de terra — é o seu mundo. Tudo o que existe além disso faz parte de outra realidade, tão inalcançável para ele como o que vemos na televisão.

A lei proíbe manter cães presos

A nova Lei de Bem-Estar Animal proíbe, sem dúvida, este tipo de existência. Não é permitido (e é punível) utilizar qualquer mecanismo que impeça ou limite a mobilidade de forma permanente.
Os cães devem manter-se integrados no núcleo familiar e, se viverem no exterior, dispor de um alojamento adequado e de um ambiente onde possam desenvolver-se.

Mas lá continua ele, esse cão, como tantos outros. É verdade que se vêem menos, não porque não existam, mas porque se escondem mais. Em quintais fechados, pátios ou garagens, permanecem encerrados permanentemente, longe de possíveis denúncias.

acorrentado

Saúde, alimentação e abandono

Além dos problemas físicos derivados da imobilidade, a sua alimentação é geralmente feita de restos de comida em casa, no melhor dos casos. No pior, é ração barata, a pouco mais de um euro o quilo, com croquetes coloridos que dão a ilusão de um prato variado.
Nada mais longe da verdade. Mas quando se tem fome, come-se o que houver.

O pelo, áspero e quebradiço, cai em tufos. Coçam-se constantemente. As dejeções são abundantes e pastosas, com cheiro intenso. É evidente que algo não está bem a nível digestivo: o alimento não está a ser bem aproveitado e é provável que sintam dores.

Se reparo bem, deve ter mais de doze anos. Levanta-se, não sem esforço, com os movimentos lentos de quem sente dor a cada passo. As suas articulações ressentem-se após anos a dormir ao relento, sem exercício e com o seu tamanho.
Como lhe faria bem um Lenda Vet Mobility & Joints. Com o seu enorme aporte de condroprotetores, colagénio e anti-inflamatórios naturais, reduziria muito o seu desconforto, sem esquecer o cuidado digestivo que tanto precisa.

Mas, infelizmente, ninguém vai pedir a minha opinião. Ninguém reparará nas fezes pastosas nem em quanto lhe doem os ossos. É mais que provável que nunca tenha sido visto por um veterinário.

O que os cães presos realmente precisam

Se alguém me perguntasse, diria que o primeiro passo seria soltar essa corrente, dar-lhe um abraço, um bom banho e levá-lo para uma casa quente, que é o que um idoso precisa.
E então, sim, preocupar-nos com a alimentação. Passear com ele um par de vezes por dia, sem forçar, a passo lento, respeitando a idade e a falta de hábito. Que veja o mundo para além do caminho que durante tantos anos se perdia diante dos seus olhos — olhos que agora, provavelmente, já não veem grande coisa.

Mas ninguém me vai pedir a opinião, porque não querem ouvi-la. Provavelmente também não importará a lei nem que o denuncies.
Porque alguns cães são membros da família, e outros… outros são meros objetos de jardim, que se vão desgastando com os anos sem que ninguém lhes preste muita atenção.

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Iria

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