A mascote com roupa de abrigo pode parecer, à primeira vista, uma humanização exagerada e desnecessária, por vezes até roçando o ridículo.
Mas é importante ter em conta que, em alguns casos, pode ir além do aspecto estético, tornando-se um elemento relevante para o cuidado do animal.
É fácil pensar: “Que necessidade terá um cão de um casaco, se ‘a priori’ está coberto de pelo e tem origem no lobo, que vivia à intempérie em climas extremos?”
Sim, mas é importante não esquecer que a domesticação provocou grandes mudanças na sua evolução, não apenas no comportamento, mas também na fisiologia, metabolismo e anatomia, como já mencionámos relativamente à alimentação.
A domesticação e os efeitos na fisiologia canina
Basta pensar em qualquer cão mini, toy, sem pelo ou braquicefálico (focinho achatado), que pouco se parece com o seu ancestral comum, tanto fisicamente como nas suas necessidades.
Ao analisar o tema do casaco ou impermeável, seria ridículo colocá-lo num Mastim de exterior, com pelagem e compleição mais que suficientes para se proteger do frio.
Na verdade, poderia até ser contraproducente em muitas raças, como Husky, São Bernardo ou Alaska Malamute, que têm pele espessa e pelo denso, podendo causar reações cutâneas por excesso de calor e falta de transpiração.
No entanto, algumas raças, devido ao seu pelo, pele e compleição, são muito mais sensíveis ao frio, e nesses casos, o uso de roupa pode ser aconselhável.

Raças que realmente podem precisar de um casaco
– Raças mini: como Chihuahua, Bulldog Francês ou Yorkshire, suportam muito mal baixas temperaturas.
– Raças sem pelo: como o Crestado Chinês, devido à ausência evidente de proteção contra o frio.
– Galgos e cães de compleição delgada: são propensos a sentir frio, sobretudo dentro de casa. É comum vê-los com casacos na rua, mas também com sweaters ou roupa de cama dentro de casa.
Outros casos em que um pouco de abrigo pode ser indicado incluem cães idosos, muitas vezes com problemas ósseos ou articulares, animais convalescentes ou com baixo peso.
Conforto do dono e proteção contra a chuva
Para além da necessidade do cão, é importante considerar a nossa comodidade.
Se temos um cão grande (ou pequeno peludo/não friorento) que vive num apartamento e vai sair à rua num dia chuvoso, talvez não seja necessário protegê-lo do frio.
Mas ao colocar um impermeável leve que não limite a mobilidade, protegemos o pelo da chuva, poupando tempo de secagem ao voltar a casa e evitando humidade na pele e pelo.
Acostumar o cão ao casaco e outras peças de roupa
Ao colocar roupa, é essencial garantir que o animal está confortável e que a mobilidade não é limitada, permitindo que desenvolva os seus comportamentos normais.
Existem roupas mais confortáveis e respeitadoras do que outras, e há cães que aceitam melhor do que outros. Se for difícil, é melhor acostumá-lo gradualmente, podendo em alguns casos ser necessário prescindir da roupa.
Alguns casacos têm elásticos para cada pata ou até mangas completas, o que é muitas vezes desconfortável, levando o cão a não se mexer ou recusar fazer as necessidades. Outras peças são mais fáceis de usar, como impermeáveis que se colocam por cima, cobrindo apenas a camada superior, ou sweaters que deixam livre o terço posterior. É crucial que o cão possa andar, correr e fazer as necessidades com conforto.
Por isso, é importante escolher a peça que melhor se adapta às necessidades de cada mascote. Evite adornos incómodos. Por muito atraente que seja um casaco com capuz e pelo decorativo, não trará mais do que desconforto ao seu animal.
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