Um patudo não é uma prenda, é uma responsabilidade!

Um patudo não é uma prenda, é uma responsabilidade!

Estamos quase no Natal e, sem querer, todos nos vemos apanhados no turbilhão da compra de presentes para os nossos entes queridos. Por vezes, dar um patudo, sobretudo se houver crianças envolvidas, é apresentado como uma opção interessante e “um sucesso garantido” sem, por vezes, pensar na responsabilidade que isso acarreta.

Mas escusado será dizer que um animal, seja cão ou gato, coelho, tartaruga, peixe ou hamster, é um SER VIVO e em caso algum se deve colocar no lugar de algo material. Parece muito óbvio, mas se te surpreendermos com um cão/gato debaixo da árvore, tal como faríamos com uma boneca, uma camisola ou uma bicicleta, estamos a objectivar este ser vivo e a subtrair da tua vida a importância que tem.

Um animal não é um presente

Há muitas coisas que devem ser consideradas ao tomar esta decisão. Podemos deixar-nos levar pela emoção e pensar apenas na ilusão com que será recebida, esquecendo que:

Um animal não é uma grande responsabilidade, mas sim enorme.

Não importa quão responsável seja a criança a quem planeamos dá-lo, é uma responsabilidade excessiva. Aquele “É o teu cão, deves assumir” é muito bom na hora de lhe dar responsabilidades e aprender a cumpri-las, mas deves garantir o bem-estar daquele amigo patudo e ter em mente que ele será mais um membro da família para cuidar e manter. Independentemente de uma criança poder ajudar quando se trata, por exemplo, de a alimentar ou levar a passear, isso também representará um grande encargo financeiro. Tem em mente que este amigo dependerá de ti para tudo, por isso trata-o como ele merece.

cão e gato no natal

Provavelmente viverá entre 10 e 15 anos.

Por vezes, isto é mais do que a criança a quem o demos viverá connosco. Durante todos estes anos deves garantir o seu bem-estar. Isto implica:

  • Tempo: dedica grande parte do teu tempo não só às brincadeiras e passeios diários que vão ao encontro das suas necessidades físicas e sociais, quer chova, neve ou haja onda de calor, mas também na tua casa. O trabalho em casa está a aumentar porque terád de passar tempo a educá-lo, a limpar manchas, cabelos, xixi ou cocó fora do lugar, patas molhadas ou sujas…
  • Dinheiro: alimentar o patudo corretamente com uma alimentação saudável e equilibrada implica um gasto, como é lógico. E não devemos esquecer as visitas regulares ao veterinário, tanto para exames, vacinas e desparasitação, como também todas as urgências que possam surgir e que muitas vezes implicam uma grande despesa em exames e medicamentos.

Fará parte da tua vida para sempre

Muitos dos patudos dados no Natal acabam abandonados quando chega o verão. Aquele animalzinho que parecia tão fofinho debaixo da árvore torna-se um estorvo quando queremos ir de férias e “não admitem” (ou não nos apetece levá-lo) a nenhum hotel. Como parte da tua família, deves tê-los em conta em todas as decisões e ponderar as suas necessidades quando surgem eventos, férias ou os clássicos imprevistos, que são as desculpas mais frequentes para o abandono; muito trabalho, novos familiares, destruição de tudo, mudança, muito tempo sozinho em casa…

Aceita-o tal e qual como é

Não é um brinquedo que possas (ou devas) trocar se não funcionar corretamente. Deves assumir que ele pode crescer mais do que esperavas, é nervoso, brincalhão, morde coisas, cumprimenta efusivamente, ladra no momento errado… Os animais não vêm com garantia de devolução, pois como seres racionais que somos, não nos devemos esquecer que são seres vivos com todas as suas variáveis ​​possíveis, e se decidirmos incorporá-lo na nossa família será com todos os seus prós e contras.

Claro que acreditamos que não é necessário realçar as infinitas vantagens que todos estes animais proporcionam para a nossa felicidade e bem-estar. E sim, é muitas vezes o melhor presente das nossas vidas e muitos anos maravilhosos passam connosco. Mas muitas outras vezes, o “presente” não tem um final feliz, e acaba por viver triste, com frio e sozinho num canil. Que a sua aparência física seja diferente do esperado, o seu comportamento não seja idílico, a nossa vida mude ou adoeça é algo que pode acontecer. Se vamos colocar um animal “debaixo da árvore” devemos questionar-nos se estamos realmente preparados para o incluir na nossa família como mais um e enfrentar com ele tudo o que vier.

Se ainda assim decidir incorporares um amigo patudo na tua vida neste Natal, há várias considerações que podes ter em conta, que farão com que ele, para além de ser um presente precioso, seja uma boa ação que salva uma vida.

Por um lado, não tem de ser um cãozinho. Sim, é tentador surpreendê-lo com um lindo cãozinho para criar. Mas vamos parar um pouco para pensar em todas as vantagens de adotar um animal adulto ou mesmo idoso.

  • Os cachorros requerem um processo de educação e aprendizagem. São nervosos, brincalhões, barulhentos e fazem as suas necessidades em todo o lado. Um cão adulto é, normalmente, mais calmo. Sabem como controlar os seus esfíncteres e fazer as suas necessidades ao ar livre. São mais fáceis de se adaptar ao lar e de compreender os costumes da casa. Normalmente não mordem nem destroem tudo o que está ao seu alcance.
  • Evitas surpresas em relação ao seu tamanho/constituição adulto. Quantas vezes um cachorro é adotado ou até comprado pensando que terá um determinado tamanho e aspeto e acaba por ser completamente diferente do esperado.
  • O mesmo em termos de carácter. É impossível saber como será o seu carácter, se será carinhoso ou mal-humorado, muito ativo ou bastante dócil, se gostará de crianças ou se poderá conviver com gatos. Normalmente, se adotares um cão adulto poderás saber tudo isto porque no local onde viveu até agora, seja um canil ou um lar adotivo, eles poderão informar-te sobre o seu caráter e modo de ser, o que te permitirá saber se pode adaptar-se ao teu estilo de vida.
  • Os cães mais velhos são os mais agradecidos que existem. Geralmente vêm de vidas difíceis e muitas vezes resignam-se a viver assim para o resto da vida. É por isso que quando lhes é oferecido um lar, são todos bondade e gratidão. Além de ser muito calmo e sereno. Ao contrário de um cachorro alegre e cheio de energia, um cão mais velho desejará pouco mais do que paz e descanso.

Certifica-te de que o teu filho ou tu não têm alergia a este animal. Parece óbvio mas é um dos motivos (desculpas) mais frequentes para devolver cães e gatos depois do Natal. “Eu não sabia, mas descobri que o meu filho é alérgico e não podem viver juntos.” Deixar esta dúvida ao acaso é brincar com a vida do animal.

Por último, mas não menos importante, claro que esta decisão deve ser sempre muito ponderada, há demasiados factores a ter em conta e uma vida em jogo. Lembra-te que existem inúmeros abrigos e protetoras onde existem patudos super agradecidos que há muito esperam para encontrar uma família que os ame e cuide. Mas com isto deves saber que cada vez mais existem abrigos que não entregam animais para adoção neste momento. E é muito respeitável, pois estão cansados ​​de conviver com casos de animais adotados à pressa para cumprir as datas do Natal que são devolvidos logo a seguir com qualquer desculpa que mostre que a decisão foi fruto de um impulso.

Com este post não pretendemos certamente impedir-to de incorporar um novo membro patudo na tua família, pois se o fizeres de forma responsável não poderíamos estar mais felizes por ti! Com isto queremos que penses muito bem o que significa fazê-lo e que reflitas e ajas com consciência, pensando sempre que se te comprometeres, é para valer e para toda a vida.

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