A reprodução canina é algo que muitas pessoas têm dúvida, tanto por não querem que a cadela procrie, como também os cuidados a ter perante a gravidez.
As três dúvidas mais frequentes sobre a reprodução canina
Donos que não sabem muito bem como evitar a reprodução da sua cadela ou que cuidados oferecer-lhe quando está gravida. Alguns querem saber se castrar o seu cão macho será eficaz na redução da sua agressividade ou dominância. Muitos ficam preocupados se a sua cadela ficou grávida no primeiro cio e outros querem saber mais sobre o da sua cadelinha.
Por isso, gostaria de esclarecer três dos pontos mais desconhecidos e que geram mais confusão.
1 – NÃO é verdade que uma cadela deve criar uma vez na vida.
Trazer ao mundo uma ninhada não é um luxo para a cadela nem tem qualquer benefício para a sua saúde, pelo contrário, pois implica um grande esforço e sempre tem os seus riscos. Sobretudo tendo em conta que na maioria dos casos posteriormente é separada dos cachorros, portanto, também não beneficia da relação de afeto mãe-filhote. Em todo caso, quem tira proveito disso é o dono se os vender ou, pelo contrário, os filhotes acabarão pagando muito caro se ninguém os quiser e acabarem sendo abandonados à sua sorte.
Em relação à sua saúde, muitas vezes é prejudicada e, em alguns casos, para toda a vida. As cadelas que ficam grávidas durante o primeiro cio, principalmente se forem de porte grande, ainda não terminaram o seu próprio crescimento e desenvolvimento, a cadela ainda é um filhote e precisa de todos os nutrientes da sua alimentação para completar corretamente o seu crescimento.
Se ficar prenha, e com a subsequente lactação, será obrigada a “deixar de lado” o seu próprio desenvolvimento para distribuir nutrientes entre ela e seus filhotes, pelo que ela sairia prejudicada. Além disso, muitas vezes surgem problemas no parto (e/ou de coluna) por não ter completado o seu crescimento ósseo. Por outro lado, muitas vezes também não estão preparadas psicologicamente para serem mães, portanto, se a ninhada sair adiante, nem sempre cuidam corretamente dos seus filhotes, com os riscos que isso representa para a sua sobrevivência e enorme trabalho para o criador.

2 – NÃO é preferível utilizar pílulas ou injeções anticoncepcionais do que esterilizar a cadela.
Entendo que não é uma decisão fácil e provoca certo medo submeter a tua cadela a uma cirurgia, mas sem dúvida é a melhor opção, com os meios atuais, os riscos e desconfortos são mínimos e não apenas evitas ninhadas indesejadas, mas também múltiplas patologias de útero e ovário e reduz o risco de tumores mamários.
Em contrapartida, os métodos anticoncepcionais hormonais estão cada vez menos recomendados por Veterinários e muitos deles já foram retirados, pois está a ser demonstrado que predispõem a algumas patologias como endometrite e infeções uterinas e existe uma relação cada vez mais clara com o aparecimento de tumores mamários.
3 – As cadelas NÃO têm menopausa nem menstruação como tal.
As cadelas sangram durante o cio, mas, além de ser muito menor, esse sangramento tem um significado completamente diferente. Nas cadelas o sangramento ocorre como INÍCIO do momento fértil.
A frequente comparação de cães com humanos dá origem a muitos erros, que neste âmbito em particular se traduzem em muitos sustos na forma de gestações indesejadas pensando que “como já sangrou” o cio tinha terminado, quando na realidade apenas estava começando. O mesmo em relação à menopausa, mais uma vez a humanização dos nossos animais de estimação faz crer que uma cadela mais velha já não pode ficar grávida. A cadela continua a ter ciclos ao longo de toda a sua vida, embora seja verdade que devido a certas patologias ou distúrbios pode ocorrer um distanciamento ou até mesmo desaparecimento dos cios.
Nem é preciso dizer que é muito prejudicial e totalmente desaconselhável para uma cadela mais velha ou já idosa ter que passar por uma gestação.
Se tiveres alguma dúvida, não hesites em entrar em contacto com a Lenda!